Oi, empreendedora! Bem-vinda de volta ao Você Empreendedor.
Às vezes, uma empresa não nasce de uma ideia completamente nova.
Ela já existe.
Já tem clientes.
Já tem uma história.
E, de repente, a vida muda — e o próprio negócio precisa mudar junto.
Foi isso que aconteceu com Daniela Costa, mais conhecida como Dan, fundadora da Abarca Catering, em Belo Horizonte.
Antes de fazer bolos para bebês, Daniela trabalhava com alimentação para camarins de shows e eventos culturais. A empresa existia desde 2012 e nasceu justamente da vontade de juntar duas coisas de que ela gostava: cozinha e artes. Daniela é formada em teatro e encontrou no catering para eventos uma maneira de continuar próxima do universo artístico.
Mas então ela se tornou mãe.
E, alguns anos depois, aquilo que parecia ser apenas uma pausa na trajetória profissional acabou provocando uma transformação completa no negócio.
Hoje, a Abarca se apresenta como uma confeitaria voltada para bebês e crianças, com bolos e doces sem açúcar adicionado, adoçados com frutas e pensados para famílias que procuram uma alternativa inclusiva para as festas infantis.
A história de Daniela é interessante porque não é exatamente sobre começar do zero.
É sobre perceber quando o negócio que você tem deixou de combinar com a vida que você passou a ter.
Antes dos bolos para bebês, havia os camarins
Quando ouvimos “catering”, talvez a primeira imagem seja a de uma empresa preparando comida para casamentos ou grandes eventos.
No caso da Daniela, o caminho foi outro.
Ela fornecia alimentação para camarins de shows e eventos artísticos e culturais. A proposta tinha relação direta com sua formação em teatro e com seu interesse pela culinária. Em vez de abandonar completamente o universo artístico, ela encontrou uma maneira de continuar próxima dele pela cozinha.
A Abarca existe desde 2012.
Durante anos, portanto, aquele era o negócio.
Só que em 2019 nasceu Benjamin, filho de Daniela.
E a chegada dele coincidiu com uma mudança importante em sua vida profissional.
Segundo o Sebrae Minas, Daniela conta que já trabalhava com alimentação inclusiva para eventos desde 2012, mas que o nascimento do filho e, posteriormente, a pandemia fizeram com que ela precisasse pausar aquela atividade.
É aqui que a história começa a ficar especialmente interessante.
Porque a pandemia atingiu praticamente todos os negócios ligados a eventos.
Mas, para Daniela, havia também uma transformação pessoal acontecendo ao mesmo tempo.
Ela agora era mãe.
E começou a observar a alimentação infantil de outra maneira.
A pergunta mudou, e o negócio mudou junto
Depois que Benjamin nasceu, Daniela começou a pesquisar uma questão muito específica:
Como fazer uma festa para um bebê sem oferecer a ele os mesmos doces cheios de açúcar que normalmente aparecem nas festas infantis?
A pergunta parecia doméstica.
Mas acabou se tornando uma oportunidade de negócio.
A própria Abarca conta que, depois de se tornar mãe, Daniela passou a investir tempo em pesquisa e desenvolvimento de bolos e doces sem açúcar, especialmente para bebês.
E existe uma diferença enorme entre simplesmente retirar açúcar de uma receita e construir um produto pensado para um público específico.
Era necessário estudar ingredientes.
Testar receitas.
Entender textura.
Descobrir como adoçar naturalmente.
Pensar na apresentação.
E, principalmente, entender o que os pais realmente precisavam.
A Abarca passou a trabalhar com receitas adoçadas com frutas e ingredientes naturais, sem corantes artificiais, conservantes e outros componentes que a empresa decidiu não utilizar em seu cardápio.
O negócio que antes atendia camarins começou a encontrar um novo público.
Famílias com bebês e crianças pequenas.
E não era simplesmente uma mudança de produto.
Era uma mudança de posicionamento.
Daniela deixou de perguntar apenas:
“O que posso cozinhar?”
E passou a responder uma pergunta muito mais interessante para qualquer empreendedora:
“Que problema específico posso resolver para uma pessoa específica?”
A maternidade não criou a empreendedora. Mas revelou uma necessidade
Essa distinção é importante.
Daniela já era empreendedora antes de ser mãe.
Ela já tinha uma empresa.
Já trabalhava com alimentação.
Já conhecia eventos.
Já havia construído uma atividade profissional.
A maternidade não criou essas competências.
O que aconteceu foi diferente: a maternidade colocou Daniela diante de um problema que ela própria passou a vivenciar.
E isso é uma fonte poderosa de ideias de negócio.
Não porque todo problema pessoal vira empresa.
Mas porque problemas vividos de perto podem revelar necessidades que outras pessoas também possuem.
Foi exatamente o que aconteceu.
Pais de bebês queriam comemorar aniversários e outros momentos especiais, mas existia uma dificuldade: o cardápio tradicional das festas nem sempre combinava com aquilo que desejavam oferecer aos filhos pequenos.
A Abarca encontrou um espaço nesse intervalo.
Hoje, o site da empresa destaca justamente a proposta de permitir que o bebê participe da festa com um cardápio específico, incluindo bolos e doces feitos sem açúcar adicionado.
E isso nos leva a uma lição que serve para quase qualquer negócio:
não procure somente o que as pessoas querem comprar. Procure também aquilo que elas gostariam de fazer, mas encontram dificuldade para realizar.
Uma festa infantil é um ótimo exemplo.
Os pais querem comemorar.
Querem fotos bonitas.
Querem um bolo.
Querem doces.
Mas também podem querer fazer isso de uma maneira que respeite determinadas escolhas alimentares.
A oportunidade estava justamente aí.
E então veio outro problema: como transformar a ideia em empresa?
Ter uma boa receita não é suficiente.
E Daniela descobriu isso na prática.
Durante o período de transição, ela buscou capacitação em temas como MEI, gestão financeira e boas práticas na cozinha, conhecimentos que, segundo ela, foram importantes para começar a estruturar melhor o negócio.
Essa parte da história merece atenção.
Porque é muito fácil olhar para um negócio pronto e imaginar que a pessoa sempre soube o que estava fazendo.
Não sabia.
Ela precisou aprender.
Precisou buscar orientação.
Precisou olhar para áreas que talvez não fossem sua especialidade.
E isso é especialmente importante para quem começa um pequeno negócio em casa.
Você pode ser excelente em cozinhar.
Mas isso não significa automaticamente que sabe formar preço.
Pode fazer artesanato maravilhoso.
Mas isso não significa que sabe controlar estoque.
Pode produzir um conteúdo excelente.
Mas isso não significa que sabe estruturar uma oferta.
A habilidade que cria o produto e a habilidade que administra o negócio são coisas diferentes.
Daniela percebeu isso e buscou capacitação.
E, alguns anos depois, sua trajetória recebeu um reconhecimento importante.
Em 2023, ela venceu o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios na categoria MEI. Segundo Daniela, o reconhecimento mudou a maneira como outras pessoas passaram a enxergar seu trabalho.
Mas o prêmio trouxe algo além de um troféu.
Também veio uma mentoria.
E Daniela passou a investir mais em marketing, comunicação e posicionamento.
Ela fez um rebranding da marca e passou a tratar a comunicação visual de maneira mais estruturada.
Isso é muito interessante.
Porque o produto já existia.
O público já existia.
A necessidade já estava identificada.
O próximo passo foi fazer com que a empresa parecesse tão profissional quanto o trabalho que entregava.
Quando um pequeno negócio começa a se enxergar de outra maneira
Existe um momento importante na vida de muitos empreendedores.
É quando você percebe que não está mais apenas “fazendo umas coisas para vender”.
Existe uma empresa.
E uma empresa precisa de identidade.
Precisa de processos.
Precisa de comunicação.
Precisa saber quem atende.
Precisa saber quanto custa produzir.
Precisa entender quanto pode crescer.
Foi isso que começou a acontecer com a Abarca.
Em entrevista ao Sebrae Minas, Daniela afirmou que, depois da mentoria e do investimento em marketing e rebranding, passou a prestar atenção em áreas do negócio às quais antes não se dedicava tanto. Ela também afirmou que a comunicação visual ficou mais estruturada e o negócio mais profissional.
Essa talvez seja uma das partes mais úteis da história para quem está começando.
Às vezes, você não precisa mudar completamente seu produto.
Precisa mudar a forma como organiza e apresenta aquilo que já faz.
É uma diferença enorme.
Imagine uma pessoa que faz bolos maravilhosos, mas responde clientes de qualquer maneira pelo WhatsApp, não possui catálogo, não tem boas fotos, não sabe explicar os sabores e não calcula corretamente os custos.
O problema talvez não seja o bolo.
É a estrutura ao redor dele.
Daniela passou por esse processo de profissionalização enquanto redefinia o próprio negócio.
E o negócio continua mudando
Hoje, a Abarca não ficou parada na primeira ideia.
O site apresenta cardápios para festas infantis e também opções sazonais, como Páscoa, Festa Junina e Natal. A empresa também desenvolveu novos produtos e ingredientes próprios.
Em entrevista ao Sebrae Minas, Daniela contou que desenvolveu novas receitas, incluiu ingredientes veganos no cardápio e criou seu próprio chocolate. Ela também manifestou planos de expandir o negócio, contratar funcionários, estabelecer novas parcerias e futuramente lançar um curso de confeitaria baby friendly.
Perceba o movimento.
A empresa começou atendendo camarins.
Depois passou a desenvolver produtos para bebês.
Depois criou uma proposta de festas infantis.
Depois ampliou o cardápio.
Depois começou a pensar em novos produtos, parcerias, equipe e até educação.
Isso é empreendedorismo em movimento.
O produto de hoje não precisa ser o limite do negócio de amanhã.
Mas existe uma condição:
cada expansão precisa fazer sentido para o público.
Não adianta lançar dez produtos diferentes apenas porque você sabe fazer dez coisas.
O ideal é observar o que o cliente já pede, quais problemas continuam sem solução e quais novas ofertas realmente combinam com a marca.
O que a história de Daniela pode ensinar para você?
Talvez você não trabalhe com confeitaria.
Talvez nem tenha filhos.
Ainda assim, existe uma lição muito poderosa aqui.
Daniela não abandonou tudo que sabia para começar novamente.
Ela aproveitou conhecimentos que já possuía.
Cozinha.
Eventos.
Atendimento.
Alimentação.
Teatro.
Experiência com camarins.
E combinou tudo isso com uma necessidade que passou a conhecer de perto.
Esse é um caminho muito mais realista para muitos pequenos empreendedores.
Você não precisa jogar sua experiência anterior fora.
Pode perguntar:
“O que eu já sei fazer que poderia resolver um problema diferente?”
Um fotógrafo de casamentos pode perceber uma oportunidade em fotografia para pequenos negócios.
Uma professora pode transformar anos de experiência em um curso.
Uma costureira pode descobrir uma necessidade específica entre mães.
Uma pessoa que trabalha com tecnologia pode criar uma solução simples para um problema que encontra todos os dias.
O conhecimento acumulado não desaparece quando você muda de direção.
Ele pode ser justamente a matéria-prima da próxima ideia.
E talvez essa seja a parte mais bonita da história
A Abarca começou em 2012.
A maternidade chegou em 2019.
A pandemia veio logo depois.
O negócio precisou parar.
E, em vez de simplesmente tentar voltar exatamente ao que fazia antes, Daniela encontrou outra possibilidade.
Não foi uma transformação instantânea.
Ela estudou.
Testou.
Desenvolveu receitas.
Aprendeu sobre gestão.
Recebeu mentoria.
Mudou a comunicação.
Reconstruiu o posicionamento.
E continuou.
Hoje, a Abarca se apresenta como uma confeitaria especializada em oferecer opções para festas de bebês e crianças, mantendo a proposta de inclusão alimentar que ajudou a redefinir o negócio.
Talvez seja essa a verdadeira lição desta história:
nem toda mudança precisa ser encarada como o fim de alguma coisa.
Às vezes, uma mudança revela um mercado que você ainda não tinha enxergado.
E uma pausa pode fazer você perceber que existe outro caminho.
Não significa que toda crise vai produzir uma oportunidade.
Nem que toda mãe precisa transformar a maternidade em negócio.
Muito menos que mudar de nicho é sempre a solução.
Significa apenas que, quando a vida mudar, vale a pena olhar novamente para aquilo que você sabe fazer.
Porque talvez a pergunta não seja:
“Como faço para voltar a ser quem eu era antes?”
Talvez seja:
“Com tudo o que aprendi até aqui, o que posso construir agora?”
Para guardar desta história
Daniela Costa (Dan): fundadora da Abarca Catering, em Belo Horizonte.
Início da Abarca: 2012, inicialmente ligada ao catering para camarins e eventos artísticos e culturais.
Ponto de virada: a maternidade, em 2019, seguida pelo impacto da pandemia.
Novo posicionamento: desenvolvimento de bolos e doces sem açúcar adicionado para bebês e crianças.
Reconhecimento: vencedora do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2023, na categoria MEI.
Lição principal: uma mudança de vida pode revelar um problema que você nunca tinha enxergado — e sua experiência anterior pode ser justamente o que permitirá transformá-lo em negócio.
Antes de fechar esta página, pense em uma coisa que incomoda você, sua família, seus clientes ou as pessoas ao seu redor.
Depois pergunte:
“Será que outras pessoas também têm esse problema?”
Talvez você tenha acabado de encontrar uma ideia.
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